O que é o Peer Review?

É um sistema muito antigo na publicação científica (peer review = revisão por pares). Significa que os artigos científicos, antes de serem publicados, devem ser aprovados por outros (geralmente 2 a 3) cientistas da área do artigo. Com isso, são publicados apenas artigos que já passaram por algum crivo; isso possui vantagens e desvantagens.

No sistema de avaliação dos artigos, o processo de peer review é o momento em que ocorre a mais detalhada análise qualitativa do artigo. A qualidade dessa análise depende da qualidade do corpo editorial e dos revisores, sendo geralmente proporcional à qualidade da revista. Nela o texto é lido e criticado, sendo a crítica enviada aos autores e, geralmente, com chance desses autores responderem às críticas. O debate científico começa aí e, após a publicação, prossegue com a comunidade científica, geralmente por meio de novas publicações.

Um dos problemas históricos no peer review é garantir que as revisões sejam balizadas por aspectos científicos do estudo e não por razões pessoais entre os envolvidos. A análise tem sido tradicionalmente feita com anonimato dos revisores e não anonimato dos autores. Neste século começou a ficar mais frequente sistemas de duplo-cego (autores e revisores são anônimos entre si) ou triplo-cego (é o duplo cego mais a não identificação dos autores para os editores). Porém, isso não tem sido suficiente.

 

O que é o Open Peer Review?

O ponto central do “Open” no sistema de Peer Review é que o debate entre autores, editores e revisores não seja anônimo. Isso pode implicar tanto no anonimato dos revisores quanto no anonimato do debate para o público. Algumas revistas de bom nível internacional têm começado a adotar esse sistema, fazendo com que os textos dos pareceres e as respostas dos autores e dos editores apareçam para o público após o aceite e publicação do artigo. Ou seja, começamos a ter acesso ao artigo e também ao debate prévio à publicação. Tal atitude tem potencial para tolher críticas injustificadas ou mesmo apelativas. A participação aberta de outros cientistas nesse debate tem sido também aventada, mas ainda não é uma prática comum.

 

Como podemos aprender com o Open Peer Review?

Se, de um lado, a prática do Open Peer Review serve para tolher pareceres de julgamento não científico, de outro lado ela nos ensina. Os modelos em que haja publicação dos pareceres e das respostas dos autores darão aos cientistas um universo de informações preciosíssimas, seja em sua área de atuação ou fora dela.

Esses documentos incluem, além das questões específicas da especialidade, muitas considerações que espelham debates sobre ciência ou elementos de sua base. Por exemplo, são questões sobre relevância da pesquisa, alcance atingido nas conclusões, uso adequado da base de dados, formas de expressão escrita, entre outras. Assim, tais leituras podem nos servir como verdadeiras aulas para nosso julgamento.

No entanto, considere que nem todo autor ou revisor tem a “verdade na boca”. Por isso, para melhor usufruir dessas informações, é preciso que você esteja estudando continuamente o processo de ciência, incluindo Filosofia da Ciência, Lógica, Epistemologia, Ética, Metodologia e Comunicação. Mas certamente o contato com a prática (debate entre autores, editores e revisores) é o melhor estímulo para nossos exercícios teóricos.

Além disso, particularmente os cientistas mais jovens poderão perceber que a conquista de uma publicação não é fácil para ninguém. Perceberão como a publicação final foi ajudada por esse debate, dessa forma indicando o aspecto positivo da crítica, mesmo que reflita apenas aquelas dos artigos aceitos. Veremos que os “grandes” também são criticados; veremos como os autores reagem; como o processo se desenrola... enfim, perceberemos que críticas são importantes para a ciência e podemos crescer com elas. É estonteante percebermos de quantas informações riquíssimas o peer review tradicional nos vem privando há tempo. Gradativamente, o Open Peer Review abre-se mais uma página importante na publicação científica, indicando que quanto mais vemos a realidade de nossa atividade, mais podemos aprender com ela... passo fundamental para nosso melhor posicionamento científico, seja como autores, editores ou revisores. Porém, vale ressaltar que tais aprendizados devem priorizar as melhores revistas científicas de sua área num panorama internacional.

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